sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

No Dia 02 de Novembro

Apesar de ainda está muito abalada pela morte da minha vó,eu topei ter uma conversar com esse investigador que eu nem mesmo sabia o nome,marcamos de nos encontrar em um jardim público perto da minha casa e ele foi pontual,até mais que eu pra falar a verdade,ao me ver não perdeu tempo,logo ele pediu para eu sentar e começou a falar.



- Então,você está disposta a me ajudar nessas investigações? - O Homem tirou o chapéu para mim e me deu um leve sorriso

- Creio que o que posso vir a lhe dizer não vai fazer tanta diferença. - Tentei desvencilhar do olhar dele,mas ele sabia que eu estava como medo de algo.

- Tenho certeza que vai,vai fazer toda a diferença,desde que você me conte tudo o que sabe. - O Homem sentou-se em seguida e eu o acompanhei.

- Tudo o que sei é pouco para resolver os nossos problemas,aliás não só nossos como de todo o mundo. - Foi visível a expressão de desgosto que ele fez ao ouvir isso.

- Não subestime os fatos,eles são valiosos,cada detalhe por minímo que seja vai fazer a diferença. Agora me conte,o que sua vó estava fazendo no dia 31? - Eu dei um suspiro profundo,estava tentando esquecer aquilo,embora eu soubesse que iria ser difícil,então falei com frieza.

- Rezando. - E Olhou para mim surpreso.

- Rezando? Então parece uma forma que ela encontrou de dizer adeus à vida. - E eu assenti com a cabeça

- Talvez,mas acontece que rezar nunca foi o ato predileto da vovó,ela era a única senhora do bairro que não gostava de ir à igreja. - Eu olhei para o lado,a igreja ficava próxima dali.

- Isso é muito interessante. E o que ela fazia nas horas de missa? - Ele me lançou um olhar intimidador.

- Ela lia livros,aliás,ela lia livros quase o tempo todo,era o que ela fazia de melhor. - Eu então olhei para o lado oposto,onde era possível ver a minha escola ao longe.

- E Você não conheçe nada ou ninguém que possa ter desejado essa morte? - Ele parou por um instante,pegou uma pequena caderneta e começou a anotar.

- As pessoas do Bairro não gostavam muito dela,mas querer a sua morte é meio cruel de imaginar. - Estava tentando olhar as anotações que ele estava fazendo,mas ele conseguia ocultá-la com a outra mão.

- Sei. E antes disso,ela apresentava estar diferente? - Agora ele estava fazendo as perguntas sem olhar para mim,apenas escrevia sem parar.

- Diferente ela sempre foi,ela estava bem como sempre esteve,mas confesso que ela parecia preocupada embora ela não deixasse ninguém ver isso. - Ela parara de escrever,largara a caneta e voltou a me olhar novamente.

- E Você o que a deixava preocupada? - Parei para pensar no que ia falar,estava procurando as palavras certas.

- Olha,não é que eu não queira colaborar,mas é que isto já está ficando pessoal.

- Não vai ser pessoal quando tudo acontecer.

- Tudo o que?

- Ora, você sabe e eu também sei,mas você está bem informada e eu não.

- Informada sobre o que?

- A Profecia, eu li sobre ela,acredite em mim,pode me contar o que quiser,eu não sou cético.

- Pois bem,minha vó acreditava nela e ela me informou sobre ela faz algum tempo,ela me deu o livro que contém a profecia e todos os males que podem vir a ocorrer futuramente.

- Há sinais não há? Sinais que mostram que ela está por vir

- Vários,todos esses ataques,visões e tudo mais.

- E o que você acha sobre isso?

- Acho que eles estão agindo e nós não,acho que muita gente ainda vai morrer nas mãos deles

- Vampiros!

- Vampiros,Lobisomens,Bruxas,...

- Bruxas,sim, eu tenho algo pra mostrar pra você. Faz alguns dias que eu soube do sumiço de algumas crianças em um distrito perto daqui,achei que elas podiam estar por trás disso.

- Nossa, isso com certeza pode ser obra de Bruxa,por anos elas caçam crianças pra roubar juventude,também houveram ataques de Lobisomens por aqui,vítimas encontradas sem o coração,isso é uma marca deles.

- Sim, é uma odisséia veloz e está só começando.

- Não consigo imaginar como vamos sobreviver a isso.

- É Fato que Lobisomens morrem com balas de prata,mas o que diz respeito a vampiros tudo é mais difícil.

- Não,não é difícil,olha,as pessoas tentam distorcer os fatos,mas o vampiros morrem com estacas,porém elas devem ser bentas.

- Você sabe de muita coisa,está bem preparada.

- Minha vó me educou nisso,mas eu não sabia que isso me ajudaria nessa situação.

- Você está querendo dizer que sua vó lhe preparou para isso,que ela lhe informou sobre os males sobrenaturais?

- Pode ser que sim,foi graças a ela que eu sei tanto sobre isso,o real e o imaginário.


Ele olhou para o relógio,era visível que já estava escurecendo.


- O Tempo passou rápido,é melhor você ir embora,não é bom que uma jovem garota ande por aí nessas circunstâncias.

- Você falou,falou e ainda não se apresentou,nem ao menos disse o que queria.

- Já descobri o que queria e quanto ao meu nome,é melhor que você não saiba ainda, tenho que ir.

- Até mais.


E o investigador misterioso saiu dali deixando um cheiro de trama que eu não conseguia identificar,ele andou,andou e sumiu ao pôr do sol.


No Dia 01 de Novembro

Enterrar a minha vó foi o momento mais triste e esquisito da minha vida até então,chegou a ser assustador,o cemitério de Callisburg parecia feito pelas trevas,era realmente algo horrendo.Como se parecesse coisa do destino,começou a chover na hora do enterro,eu estava em transe,não conseguia chorar nem demonstar qualquer de tipo de ação,eu estava simplismente parada,olhando para tudo e todos como se nada tivesse acontecido,mas por dentro eu estava destruída.Apesar de estarmos em um cemitério,além de sua energia negativa habitual,a atmosfera estava estranha,minha vó havia morrido,porém haviam pessoas naquele enterro que pareciam também ter morrido,perdido a graça de viver.Mark estava aos prantos,Olímpia estava consolando ele,minha mãe estava como eu,não demonstrava nada e o olhar dela estava vazio.Elizabeth e Hellen estavam lá também.Naquela mesma noite eu recebi uma ligação,fazia semanas que não ouvia falar no nome dessa pessoa,o investigador da cidade de Odessa me ligou e queria uma entrevista para o dia seguinte,alegando que isso ajudaria no rumo das investigações e eu nem pensei em recusar

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

No dia 31 de Outubro

Era comum irmos à casa da nossa avó no Dia das Bruxas, em geral eu passava o ano inteiro pensando na fantasia na qual iria usar e qual peça eu pregaria no meu irmão, mas naquele momento,o Halloween estava me causando algo inédito,o medo,a tradição não mas parecia uma simples brincadeira,naquele ano onde tudo começou,os pesadelos começaram a tomar proporções reais e aquilo que eu gostava de ouvir mais que qualquer um,agora me aflingiam por completo.Os preparativos começaram cedo,na minha escola nós passamos o dia inteiro escutando histórias de terror e eu com medo de contar sobre os reais acontecimentos,sobre a garota que vaga pelo cemitério a noite,sobre o coveiro louco que a via nas noites,sobre quem ou o que atacara Samanta. Á tarde fomos para a casa da nossa avó, a senhora rústica,aquela que as pessoas do bairro não gostavam de comentar,talvez fosse por isso que minha mãe mantinha uma certa distância da minha vó,para não ser chamada de louca,mas eu não ligava,amava minha avó e posso dizer que adoraria ter a fama que ela tem.A Mesa estava vazia naquele ano,nos decepcionamos ao ver que ela estava apenas largada no sofá empoeirado com algumas velas acesas,ajoelhado em frente a um cartiçal sob o parapeito.

- Vó? - perguntei
- Oi querida - Disse ela com a voz trêmula,quase imperceptível,minha mãe me olhou e baixou a cabeça
- O que está fazendo?
- Minha filha,hoje é dia de todos os santos,vulgarmente chamado de dia das bruxas,um dia em que os mortos podem voltar para a terra - Ela não olhou para mim, ainda estava fixada no cartiçal
- Mas a senhora nunca fez isso,aliás,estaria mais animada que as crianças lá fora
- Digamos que agora não há tantos motivos para alegria,eu vou rezar, não quero ver nenhum morto na minha frente! - Minha mãe se exaltou e falou

- É assim que nos recebe,com mais uma de suas baboseiras de monstros,eu estou farta de que a senhora seja assim,tão velha e ranzinza,contando histórias de terror para assustar minha filha.
- Eu queria que isso fossem apenas histórias,olha o tempo,está diferente,nublado,cinza,com uma atmosfera pesada
-Por favor mamãe,você está louca!
- Sim, esse vai ser o destino de todos daqui pra frente, a morte ou a loucura.!
- Adeus mamãe !
- Eu vou ficar! - eu me pronunciei
- Tudo bem - Minha mãe foi embora sozinha, ela bateu a porta e eu fiquei olhando para a minha vó,ela ainda de costas.

- Então é isso, vamos enlouquecer e morrer? - perguntei
- Você leu o livro que eu te dei,sabe da profecia
- Eu li, mas são só lendas
- Está mentindo pra mim? Você, a quem eu me vejo?
- Não pode ser vó,nessas proporções,é insano
- É muito insano, e quem disse que as pessoas são normais e quem dirá os seres de outro mundo!
- Então é verdade,vai acontecer?
- Tudo o que você está imaginando vai acontecer,tudo o que você pensa que é,é verdade,tudo que você pensa ser loucura é a realidade.
- Então a Samanta é um Vampiro? Esses ataques foram feitos por eles? eles vão se espalhar por aí como diz no livro?
- Fale por você
- Meu Deus!
- Podemos recorrer a ele quando acontecer a catástrofe, você vai estar no meio dela,bem no centro,juntamente com seu irmão.

Não fiz mais perguntas para a minha avó,fui para casa e na madrugada telefonaram para minha casa e quase tive um infarto no momento, minha vó havia morrido,todas as velas estavam apagadas exceto uma,a que estava no centro do cartiçal no parapeito com um crucifixo ao lado.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

No dia 27 de Outubro

Esperei dois dias para receber alguma resposta do Sr.Bóris,mas ela veio logo e sem nenhuma notícia boa,ele debochou na carta,dizendo que eu pensava tê-lo visto mas que não era ele no carro,ele foi sensato ao me convidar para ir ao consultório dele qualquer dia,diante dessa decepção eu teria que tirar alguma satisfação,ele me deu o endereço da clínica,Elizabeth já havia me dito aonde era mas eu havia me esquecido, fui naquele mesmo dia.Chegando na clínica,a secretária pediu o meu nome,perguntou se eu iria me consultar e então disse que eu viera a pedido do Sr.Bóris e logo ela me deixou entrar. Poucos vezes eu tinha visto o Sr.Bóris daquela maneira,em geral,quando chegava em casa estava sempre com um sorriso no rosto,ali ele estava pálido e abatido,preocupado,lendo um leva de documentos,eu bati na porta para anunciar a entrada,ele me olhou de esguelha e falou.

- Ah,então é você? - Ele falou comigo olhando para os documentos,o óculos na ponta do nariz,eu ofeguei.
- Sim,sou eu,Cora Lenny,amiga de Elizabeth - Ele soltou os documentos,olhou para mim.
- Sabe que tenho muito trabalho,não sabe,sabe que tenho milhares de coisas para me preocupar,vidas para salvar,não sabe? - Eu abaixei a cabeça - E Então porque tenho que me preocupar com as baboseiras que uma garota de treze anos arruma para mim?.
- Me desculpe senhor,eu não tenho nada a ver com o que acontece na sua vida.
- E Então? -
- E Então,que a única coisa que eu quero é saber como a Samanta morreu,todos sabem que seu diagnóstico é suspeito e que o senhor mascarou várias coisas,ora por favor, a garota foi encontra sangrando e o senhor vem dizer que ela morreu de febre amarela,isso é meio difícil de acreditar. - Ele levantou-se de um salto,estava estressado,as rugas em seu rosto se contorciam ao olhar pra mim,não havia raiva ali,mas uma exacerbada tentativa de me convencer de alguma coisa.
- Eu não posso contar nada a você,todo o diagnóstico está em sigilo.
- Então o senhor confessa que teve algo além de uma febre,a garota estava pálida,perdia sangue à toa.
- Eu aconselho a você ir embora,isso não lhe convém,ela não era da sua família,e você é apenas uma garotinha rebelde.
- Sou rebelde ao ponto de contar para sua mulher que o senhor estava com outra dentro do carro,sou rebelde ao ponto de arriscar a amizade que eu tenho com a sua filha para saber o que houve de verdade,o senhor tem lido o jornal,não tem? Viu as declarações do Coveiro,aconteceu várias vezes,eu creio que uma ponta de verdade naquilo havia,a pergunta é, quem era a tal assombração? Ou será que todos são cegos e não vêem o que está acontecendo.
- Não se envolva na minha vida garota!.
- O Senhor vai me contar,vai me dizer o que houve ou vai prefirir uma crise no seu casamento. - Ele parou,olhou para o chão e tornou a olhar para mim.
- Samanta Verni perdia sangue toda noite,depois de um dia árduo atrás de compatibilidade sangüínea,tinha pesadelos o dia inteiro,gritava nomes,e estava definhando cada dia mais,não sabemos para onde o sangue ia, só conseguíamos ver dois pequenos orifícios ao redor de sua jugular,e foi assim até ela morrer.
- O senhor verificou os dentes dela?
- Não,porque eu verificaria?
- Por nada,eu lhe agradeço e esqueço quem o senhor é, obrigada.

Foi um dia cheio,a cidade estava se preparando para o Dia das Bruxas e o monstros estavam começando a viver na realidade.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

No dia 25 de Outubro

Desde o dia 22, eu não consegui pregar os olhos imaginando na estupenda revelação do coveiro,então era de fato o princípio do fim,ninguém poderia imaginar nisso,que o mundo iria se assolar em pestes das trevas,aquilo já estava me enlouqueçendo,tive a brilhante idéia de escrever uma carta para o pai de Elizabeth,ele cuidou de Samanta até o fim,mas nunca disse nada sobre o diagnóstico a não ser pra própria mãe de Samanta,sabia que seria difícil arrancar alguma informação dele e que ele não teria o porque de revelar nada a mim,mas eu tinha uma carta na manga,temia usa-la mas era o único jeito,teria de ameaça-lo sobre contar que tinha uma amante e que vindo de mim a Elizabeth acreditaria,ou era isso ou me contar o que houve com Samanta durante esse tempo. Aquele dia amanheceu chuvoso,eu estava no colégio escrevendo a tal carta e ao tentando fugir de Elizabeth,ela não poderia extrair nada daquele bilhete, eu saberia por na carta tudo o que queria saber sem ficar no nervosismo,por acaso eu ainda lembro-me dela.

" Callisburg, 25 de Outubro de 1996.

Olá, Dr Bóris, o Senhor certamente não deve se lembrar de mim,mas com certeza já ouviu falar do meu nome,sou a melhor amiga de Elizabeth,sua filha, fui em sua casa algumas vezes,mas o senhor não estava lá, sou Cora Lenny, venho por meio desta carta lhe pedir permissão para me contar os ultimos ocorridos de Samanta antes da própria morrer, é um pedido um tanto grande,eu sei, mas quero que saiba que isso é muito importante e que se tiver havido alguma coisa fora do normal que não esconda pois pode ser perigoso. É uma hipocrisia minha achar que o senhor vá me dizer alguma coisa,por isso lhe asseguro de que se o senhor me contar, a sua mulher não vai ficar sabendo sobre o seu encontro no dia cinco deste mês, eu o vi aos beijos com uma mulher morena dentro do carro, se sua mulher o conheçe,ela certamente deve desoconfiar de alguma coisa,não tenho intenção de prejudicar seu relacionamento,mas diante das cirscunstâncias eu tenho de usar isso em meu favor,pois é mais que vital que o senhor me diga o que quero saber.

Saudosamente. "

domingo, 10 de julho de 2011

No dia 22 de Outubro

Não consegui esperar mais,fui visitar o coveiro,ele morava a duas quadras depois da minha,vivia sozinho e eu receio que ele de fato tenho perdido o juízo,vou tentar descrever a conversa que tive com ele.Cheguei lá às 11:45,arrastei Elizabeth para vir comigo,ela estava com medo e receosa de que o homem tentasse fazer alguma coisa conosco,para acalma-la eu disse que estava levando um canivete,mas isso não melhorou a situação.Tocamos a campainha sem êxito e então batemos na porta,a casa do homem caia aos pedaços e as plantas ao redor estavam todas secas,por um momento paramos para olhar o andar superior com as janelas abertas,dava para ver a tensão nos olhos de Elizabeth misturado com a raiva que ela estava de mim por tê-la trazido para aquele ambiente sombrio,ela quase caiu para trás quando o homem abriu a porta,ele era mais assustador do que eu imaginava,pálido e com poucos cabelos,um sorriso enviesado que revelava os seus dentes amarelos,ele nos olhou e perguntou.

- O que as moças querem? - Perguntou ele dando um sorrisinho.
- O Senhor é o coveiro do cemitério Karl Pich,que foi destituído a pouco tempo? - Tremia ao falar aquilo,estava óbvio que era uma ofensa ao homem ouvir aquilo,conseguia prever a hora que ele ia nos expulsar dali.
- Sim! Mas o que isso interessa a vocês? - Ele aumentou o tom da voz,esbravejou e ouvi o gemido de terror de Elizabeth.
- Nós só queríamos dizer que acreditamos no senhor,sobre o que falou para o jornal,que vira uma mulher andando no cemitério a noite! - Estava apreensiva,o homem pareceu compreender.
- Ora! Saiam já daqui,eu estava vendo coisas,essas coisas não existem,isso é loucura da minha mente! - O Homem arfava de medo.
- Senhor,por favor nos conte o que o senhor viu, ou que o senhor pensou que viu, é importante! - Ele me encarou e eu senti calafrios ao olhar nos olhos dele.
- Todos acham que estou louco,que estou velho demais para cuidar do cemitério,mas eu sei o que vi,eu sei que não estou louco! - Ele abaixou a cabeça,olhando para os próprios pés sujos.
- Então por favor nos conte - E ele assentiu com a cabeça e fez gestos para nós entrarmos,Elizabeth me olhou com repressão,mas não havia mais jeito e então entramos.A Casa era mais feia pro dentro do que por fora,tinha um cheiro terrível de mofo misturado com lôdo,era extremamente empoeirada e por toda parte se viam as marcas de pés,as paredes eram todas rachadas e dava pra ver que eram meio molhadas devido a algum vazamento,o sofá estava rasgado e não era alcochoado,era simplesmente coberto com um lençol que arrastava no chão,não consegui ver mais nada além da sala,tudo estava escuro. O Homem nos indicou o sofá e nos pediu para sentar,nós sentamos e sem pedirmos nada ele começou a falar.

- Faz quatorze anos que trabalho naquele Cemitério,e é assim que me recompensam,expulso de um trabalho que nem metade da população se atreveria a fazer. - O Desgosto vinha em cada palavra em que ele falava.
- Senhor,a gente quer saber um pouco mais do que tem visto no Cemitério a noite. - O Homem deu um leve sorriso,não entendi o porque.
- Ora o que vi! Gente morta é claro,é a única coisa que tem em um Cemitério. - E ele caiu na gargalhada,e eu fiquei abismada.
- Não foi isso que eu quis dizer, o senhor viu alguém andando pelo Cemitério quando não tinha mais ninguém além do senhor. - O Sorriso do Homem sumiu.
- Sim, era uma Mulher linda,tirando o fato de que não estava viva!. - Eu franzi a teste e Elizabeth deu um suspiro.
- Como sabe que ela estava morta?. -
- Porque eu fui ao velório dela,de passagem,eu conhecia um dos colegas dela e eu fui prestar solidariedade ao garoto,não passei muito tempo lá,mas sei que estava vestida de branco e tinha uma coroa de flores na cabeça,tinha uma gargantilha de esmeralda e era ruiva,com cabelos cor de fogo - Engoli a seco aquele fato,Elizabeth se lembrara de algo.
- E o senhor sabia o nome dela? - Estava com terror nos olhos,temendo o que ele iria responder.
- Os colegas a chamavam de Sam,mas o nome era Samanta,Samanta Polarie Verni. - Meu rosto ficou pálido,não pensei em mais nada,disse adeus ao homem que eu nem sabia o nome e sai de lá às pressas com Elizabeth,se o que ele havia contado fosse verdade,então a Profecia estava começando,de uma maneira desenfreada.

No Dia 20 de Outubro

O Ritmo de notícias até este dia foi frenético,o tal coveiro que vira alguém caminhando no cemitério a noite repetiu a notícia todos os dias para os repórteres,infelizmente estes já não estavam mais acreditando no pobre homem e ele foi removido do trabalho,tive a sorte de conseguir o endereço deste coveiro,ele morava perto de minha casa,precisava lhe fazer algumas perguntas.Naquele dia vinte,eu passei o dia inteiro na casa de Elizabeth,foi com sua ajuda que consegui estas informações,mostrei a ela o livro que minha vó me dera,mas Elizabeth é muito cética,cética ao ponto de acreditar que seu pai é o homem perfeito,aquele que jamais trairia a sua bem sucedida mãe,Hellen Allen era uma mulher boa,mas tinha pontas de hipocrisia.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

No dia 5 de Outubro

Não quiz contar a Elizabeth o que vira naquele dia,talvez isso afetasse ou não a cabeça dela,mas eu não queria arriscar,afinal não era da minha conta.Vi o pai de Elizabeth passando em seu carro naquele dia,em seu lado estava uma mulher morena e de cabelos lisos,parecia usar vestido,ela estava o beijando.Os Allen sempre tiveram a fama de ser uma família estruturada,não sou eu quem vai tirar esse prestígio,isso não me convém. Uma nova série de crimes está afetando Callisburg,o coveiro da cidade pôde jurar que viu alguém caminhando pelo cemitério a noite enquanto ele fechava os portões,na manhã seguinte alguns túmulos estavam violados,mas os corpos ainda estavam lá,mais de sete túmulos estavam nessas condições.

No dia 30 de Setembro

Os ataques não pararam nenhum dia,toda noite alguém era vitimado e na manhã seguinte o jornal noticiava o número de mortos,a população estava apavorada,as vítimas são encontradas em diversos casos,algumas estão sem os olhos,outras estão completamente dilaceradas,outras com mordidas no pescoço,a número de vítimas passou de cinqüenta.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

No Dia 20 de Setembro

As Notícias correram rapidamente,todos da escola estavam comentando sobre os ataques na cidade,ataques iguais aos de samanta,nas mesmas circunstâncias,só que desta vez as vítimas não tiveram a chance de ir para o hospital,foram encontradas todas mortas com a cabeça mergulhada em um almofada de sangue,diferente de samanta essas vítimas não tinham marcas só no pescoço,todo o braço e perna estavam mordidos e não havia rastro algum de quem ou o que fizera aquilo,sobre esses fatos eu achei um trecho no livro da minha vó que descreve ações parecidas.

"...Dificilmente atacam só uma parte do corpo da vítima,gostam de ver o sofrimento estampado no rosto do seu "jantar" e quanto mais a vítima implora para morrer mais e mais ela é torturada,são arrastados no chão com os cabelos presos nos caninos da fera,o calcanhar ralando no chão que por sua vez era marcado com o sangue cristalino e vital da vítima,todas elas são levadas para um encruzilhada ou para a frente de um cemitério,o animal faz um espécie de ritual antes de devorar a vítima e é quando então a pobre vítima sem mais nenhum sentido,sente o filamento de dentes afiados cravarem no braço arrancando a sua pele que já não sente mais dor."

Embora isso possa se encaixar,não consigo entender porque as vítimas da minha cidade estavam sem os olhos,creio que se for mesmo essa fera que o livro cita,talvez tivesse devorado os olhos com o maior prazer.

sábado, 28 de maio de 2011

No dia 14 de Setembro

Concluí o Livro que minha vó me dera,não era uma história em seqüência,era uma coletânea de contos e mitos sobre coisas sobrenaturais,tudo o que eu mais gostava,várias lendas que assolavam o mundo e fatos verídicos.Não o ganhei por acaso,ele continha informações que me deixaram intrigada,pode ser representado nesse trecho do livro.

"...Vampiros não atacam na luz dia,mas iniciantes da vida vampiresca são capazes de almoçar um pescoço em locais escuros durante o dia,só se dão conta do perigo que o sol os causa depois que atacam mais de cinco vítimas em série,no caso dos homens,as vítimas precisam ser mulheres virgens..."

Uma Ironia completa,as coisas que eu imagino se encaixam,mas eu não quero que isto seja verdade,afinal os humanos não se dão conta de tal coisa.Outro trecho do livro me chamou a atenção,se tratava de uma profecia muito improvável,mas achei interessante.

"...O Mundo se cobrirá no escuro,o sol será banido e as criaturas malígnas o dominarão,implorem a Deus por suas salvações,a terra não será um lugar de paz.Desde os primórdios,as criaturas das trevas tentam desestaurar o equilíbrio entre o dia e a noite,tal função é coordenada por dois arcanjos,uma mulher responsável por trazer a lua e um homem por trazer o sol,isso acontece através de dois objetos mágicos que projetam os movimentos da terra e fazem com ela se encontre em equilíbrio,sem tais objetos,a terra passaria a se desordenar,giraria incontrolavelmente ou até pararia de girar,ou simplesmente tanto a lua quanto o sol poderia sumir,manifestando forças invisíveis para a humanidade.Os dois objetos são dois cordões que possuem um pingente de um material indetificável,esses objetos são cravados em duas rochas ondem recebem vigilância dos anjos todo o tempo,a lenda diz que em breve alguma força das trevas tentará roubar um dos cordões para destruir,deixando a força do outro cordão a tona e manifestando forças invisíveis,será o dia do possível apocalipse,quando as profundezas temíveis e as criaturas que a habitam virão a terrar e destruirão a humanidade..."

Espero que isso tudo seja uma perfeita mentira.

sábado, 21 de maio de 2011

No Dia 12 de Setembro

Samanta morreu naquela manhã,minha escola foi aberta no mesmo dia,o enterro seria naquela mesma tarde,não tive coragem de ir,minha mãe e meu irmão prestariam solidariedade para os Verni,os pais de Elizabeth e a mãe de Franccis também iriam ao enterro.Estou prestes a concluir o livro que minha vó me deu.

No Dia 5 de Setembro

"Pessoas são encontradas mortas em ruas de Callisburg..."

"Um homem foi decapitado em uma encruzilhada,sua roupas rasgadas e suas veias secas..."

"Homem vê figura encapuzada no meio do mato grande..."

"Crianças atacadas em circunstâncias misteriosas..."

No Dia 1 de Setembro - 1996

Era comum visitarmos nossa avó aos domingos,em geral minha mãe não gostava de ir até lá,elas eram diferentes até nas idéias,minha mãe era cética enquanto minha vó sabia todas as histórias fantasiosas do mundo e não havia companhia melhor para mim. A casa dela era gigantesca,exalava no ar o cheiro de coisa velha que eu tanto gostava,a modernidade não me atraia e a casa da minha vó me fazia voltar no tempo,havia um sala cheia de livros e baús que ela não me deixava abrir,podia ler livros desde que não fosse dentro daquela própria sala,aprendi a gostar do estranho através dela,com apenas cinco anos ela me fez ler Frankestein e daí por diante eu não parei de ler literatura fantástica. Chegamos lá às 11:00,ficaríamos para o almoço,passaria a tarde toda lá,era o dia que mais me agradava,depois do almoço eu pedi permissão para ir a biblioteca e cheguei no meu mundo,lá estavam nas estantes "Drácula", "Frankenstein" "Nosferatu", "Bruxas" e outras coisas mais,havia uma área daquela sala em que nunca fui olhar,ficava perto da janela bem escondida atrás das cortinas,só havia um livro naquela estante,grande e longo,capa dura e empoeirada,as letras do título manchadas,limpei-a com a ponta da blusa,foi difícil ler aquelas letras douradas,não consegui ler pois estavam em outra língua,fui surpreendida pela sombra da minha vó,tivemos uma conversa estranha pelo pouco que lembro.

- Sabia que iria encontra-lo! vejo muito de mim em você,me orgulho de você,não poderia querer outra coisa. - Os olhos dela marejaram,parecia que já sabia daquilo,mas não tinha nada demais
- Vó? - Perguntei,o sangue fervoroso,minha curiosidade era imensa.
- Diga minha querida - Ela deu um leve sorriso,é claro que sabia qual era a pergunta.
- Que livro este? O que significa?
- Ela baixou a cabeça e voltou a me olhar em alguns segundos,me encarou,o sorriso em seu rosto.
- Ó,sem dúvida é o melhor livro que existe para mim,uma profecia na verdade,talvez seja a hora de entrega-lo pra você. - Eu não entendi aquilo,um livro necessário era o que parecia ser,mas para que serviria?.
- Para mim,sério que posso ficar com ele? -
Ela não falou nada,apenas balançou a cabeça.
- É Claro,leia e depois me diga o que achou -
Com toda a certeza,ler não era apenas o que ela queria que eu fizesse,afinal sendo um livro deveria ter as respostas que eu queria.
- Obrigada Vó. - Corri até ela,abraçei-a,fazia tempo que não abraçava a velha senhora Christine,minha vó
- De nada minha querida! -
Ela beijou minha testa.
- Vó? queria conversar com a senhora -
Ela franziu a testa.
- Tudo bem,sobre o que? -
Falou isto quase aos susurros,de fato eu não queria que minha mãe estivesse ouvindo,e minha vó sabia disso.
- A Senhora soube o que houve em meu colégio! -
Engoli a seco aquelas palavras,talvez não fosse algo para se falar com uma avó.
- Sim minha querida. -
Ela assentiu com a cabeça.
- Eu queria saber o que a senhora acha sobre isso, é que a garota foi encontrada com um machucado no pescoço,não era grande mas saia muito sangue! -
Não esperava que ela disesse algo,mas minha vó nunca me disse que as histórias que ela contava para mim fossem mentiras.
- Onde você quer chegar Cora? -
Ela sabia do que eu estava falando,melhor do que ninguém
- Não parecia normal, a senhora acha que poderia ser... - Fui interrompida,ela se assustou com o que eu pudesse dizer.
- Oh não,claro que não,não nessa circunstância nã... - Interrompi ela agora.
- Circunstância,que circunstância? - Se havia algo estranho acontecendo,eu estava quase sabendo
- Porque iria fazer isso quando em pouco tempo havia centenas de alunos no colégio? - Entendi seu raciocínio,aquilo não poderia atacar ninguém com tantas testumunhas.
- Eu não sei,mas vou descobrir.

Minha vó ficou calada,saiu da sala e me deixou sozinha,fiquei com livro,acho que haveria respostas nele.

sábado, 14 de maio de 2011

No Dia 27 de Agosto - 1996

Consegui um exemplar do Jornal "Daily Burg" neste dia,Elizabeth mentiu pra mim,fiquei decepcionada por ela ter omitido algo grave.

"O Mistério do Colégio Krista"

No Dia seis de Agosto desse mesmo ano,uma aluna do Colégio Krista Bailey foi encontrada no chão desmaiada sobre as cadeiras de sua sala,as únicas testumunhas foram duas garotas do primário que estavam lá arrumando uma bagunça,enviamos nosso investigador para a casa de uma das garotas que alega não ter visto nada,segundo ela,a garota estava no chão e escorria sangue em sua blusa,o sangue vinha do pescoço e ela não soube explicar o porque.Nosso investigador conseguiu o endereço da outra garota,que por coincidência é filha de um médico muito influente na cidade,médico este que está cuidando da garota.

Veja o relato da conversa:

(A garota estava muito nervosa,dá pra entender o motivo desse medo depois de um acontecimento tão misterioso,em toda a minha vida,nunca tive um caso tão complexo,quem fez isso não deixou rastros.Perguntei-a sobre o dia do ocorrido e embora estivesse com medo ela contou tudo o que sabia.

"Eu e minha amiga organizamos uma festa para um colega de classe no dia seis,ficamos encarregadas de limpar o salão e conferir as salas antes de sair,conferimos todas as salas do primário e depois fomos conferir o segundo andar,lá é naturalmente escuro e a sala que conferimos por ultimo foi a sala em que a encontramos,não tivemos ação nenhuma,depois eu desci as escadas para tocar o alarme de emergência,antes de descer pensei ter visto alguém,uma pessoa de preto que não parecia ser o zelador,a pessoa não olhou para trás e eu também não me importei,toquei o alarme e o zelador correu para o salão e eu fiquei com essa dúvida,minha amiga estava na sala do segundo andar, eu e o zelador estavamos no salão,então quem eu poderia ter visto se não havia ninguém na escola além de nós?."

Perguntei-a em qual sala ela havia visto a tal pessoa e então com temor ela disse:

"Foi a sala do almoxarifado,cuja chave só os diretores possuem,é uma sala escura e suja,a tal pessoa estava olhando pela janela,já era a tardinha"

A Garota informou que o que aconteceu depois é o que todos sabemos,tentarei investigar o colégio e descobrir quem estav por ali.)

Nós do Jornal esperamos que o agressor seja pego e que esse mistério seja desvendado.

(Daily Burg).

domingo, 8 de maio de 2011

No Dia 20 de Agosto

Um investigador foi me procurar naquele dia,veio da cidade de Odessa aqui no Texas,informou-me sobre os boatos que correram por lá,disse que havia chegado pela manhã e foi direto na minha escola,só encontrou lá o zelador da qual nos ajudou a pedir socorro,ele informou meu nome e endereço,eu temia por sua presença,sabe-se lá quanto tempo ele iria ficar me interrogando,estava com medo.Ele foi embora e não conseguiu informações interessantes,nada além do que todos haviam ouvido,disse como ela estava e com que circunstância nós a achamos,nada além disso.O Investigador me perguntou se havia outra testemunha,receei em lhe informar sobre Elizabeth,mas por alguma razão ele me parecia confiável.

sábado, 7 de maio de 2011

No Dia 10 de Agosto - 1996

Os dias passados não foram tão importantes quanto esta sexta-feira a qual me refiro,desde aquele dia as notícias e boatos embaçaram a visão da verdade,ninguém sabia como Samanta estava,se estava morta ou viva,mas a resposta veio ao amanhecer do dia dez quando Olímpia,a amiga de Mark,ligou para minha casa avisando que Samanta estava internada no Hospital do Pai de Elizabeth,O Senhor Bóris Allen,ela explicou que o estado de Samanta era grave e que as chances que ela tinha de sobreviver eram mínimas,Olímpia disse que o Dr.Bóris informou a mãe de Samanta que não sabia dar um diagnóstico preciso sobre o que ela tinha,disse que ela havia perdido muito sangue mas não sabia explicar aquilo já que não havia vestígios de cortes em seu corpo,tampouco arranhões ou lesões.Pénelope Verni veio a minha casa informar o que havíamos descoberto hoje de manhã,ela e minha mãe sempre tiveram uma boa relação,permaneceu com os olhos marejados todo o tempo e soluçava como quem estava embriagada.A Escola vai ficar fechada por algum tempo,seja lá o que que tenha ocasionado tal arte talvez precise voltar ao local do crime,só tenho uma coisa a dizer,o criminoso que fez aquilo é um artista na termo de matar,mas creio que ele irá se decepcionar ao saber que sua vítima ainda resiste.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Princípio - As Primeiras Anotações do Diário de Cora Lenny - No Dia 06 de Agosto (1996)

Não tenho e nem nunca tive o costume de escrever Diários,receio que já começei a escrever um agora,é necessário que o mundo saiba desses acontecimentos cedo ou tarde,mesmo que todos nós já estejamos mortos.Sempre fui uma facinada por mosntruosidades,fato este que aguçava minhas idéias e me deixavam deveras vezes ausente dos grupos colegiais,nunca tive tantos amigos mas tinha ao meu lado as melhores pessoas que eu conhecia depois dos meus pais,Franccis Speener e Elizabeth Allen,cursavam a mesma série que eu e sempre me defenderam de piadinhas vindas dos populares,tenho um irmão chamado Mark,que está agora ao meu lado,Mark fazia parte dos populares e deversas vezes participou das piadas sobre mim mas no final sempre pedia para manerarem,afinal eu havia reclamado para minha mãe umas milhares de vezes e ele estava sobre uma chuva de ameaças,ao ponto de se ferrar,confesso que adorava assistir as broncas que ele levava.Mark tinha vários amigos pelo colégio,seria talvez um dos alunos mais conhecidos,vivia andando com os seus três melhores amigos,Fernando Posttimore,Samanta Verni e Olímpia Laurie,esta ultima era a única pela qual eu nutria algum tipo de afeto,enquanto que a outra garota me odiava e eu também a ela,Fernando nunca foi um dos melhores comigo porém não me chingava e nem ria de mim,todo o resto da classe de Mark me chamava de estranha.Com a aproximação do aniversário de Franccis,todas as pessoas de minha classe se uniram para fazer um surpresa,todos nós sabíamos o quanto Franccis sofria em casa com sua rigorosa mãe,nunca lhe dera um carrinho para brincar e segundo ele,sua mãe compensava a falta de presente lhe colacando nas melhores escolas e felizmente ela via o resultado do filho,Franccis era o número um da classe,seu mínimo era B+,os professores o elogiavam mais que a qualquer um e isso o animava um pouco.A festa foi marcada por uma imensa alegria regada a muito refrigente e uma fartura de salgadinhos e bolos,ao final,eu e Elizabeth ficamos para limpar o colégio da sujeira feita pelos alunos e a diretora nos incubiu de fiscalizar as salas para ver se não havia nenhum aluno ou casal por lá,até aquela hora os alunos mais recentes que estavam ali eram os de nossa turma,todo o resto do colégio já havia ido embora à meia-hora atrás e eu supunha que não havia ninguém nas salas de aula,conferimos todo o primário terminando em nossa classe e depois fomos conferir as salas do secundário que ficava na parte superior do colégio,em cima era escuro e o silêncio dava muitos calafrios,não se ouvia nada ali a não ser o sopro do vento,chegamos na ultima sala,no final do corredor,a sala onde meu irmão estudava e ao abrirmos a porta quase caímos para trás,lá estava ela,estirada ao chão,o sangue escorrendo pela sua blusa,vindo do pescoço direto da jugular,Samanta Verni estava pálida,morta aos olhos de quem quer que fosse vê-la no momento,não tívemos ação,encaramos a cena paradas por um dois minutos e Elizabeth correu para ligar o alarme de emergência e eu fiquei ali parada,feito um papel,minha cabeça voava imaginando o que ocasionara aquilo.Aquela foi sem dúvida alguma,a semana mais longa do ano,não se falava em outra coisa na escola e as notícias foram voando de bairro em bairro até atingirem todo o Texas,Callisburg naqueles ultimos dias deixou ser uma pacata cidade,agora se tornara um alvo da mídia,não sei contar o número de repórteres que adentraram a nossa escola para tirarem suas conclusões sobre o ocorrido,várias pericias vasculharam o local no mesmo dia do incidente e não encontraram nenhum registro de suspeita,o que tornava as notícias ainda mais avassaladoras do que poderiam ser,inventavam todo o tipo de boato sem nem ao menos saberem de quem se tratava,eu e Elizabeth tivemos sorte que os repórteres e os peritos não cairam sobre nós,não ainda,se descobrissem não teríamos paz até acharem o maior número de pistas,mas receio que não iriam conseguir nada conosco,afinal nós não vimos a ação do fato,só vimos os fato feito.

O Papel rasgado do Diário de Cora Lenny

"A Lua está alta no céu,eu não queria mais nada além de uma cama e um sossego que havia desaparecido a alguns meses,não sei se é fácil ou difícil de acreditar,nem eu mesmo sei se é verdade ou se é uma completa loucura da minha cabeça,isso já está me tirando a sanidade; O mundo se fechou para algo inacreditável,prefiriu fingir que era imaginação e isso resultou numa submissão; A epidemia de trevas está crescendo cada vez mais e eu e meu irmão estamos perdendo quase o total controle da situação,afinal os seres humanos nunca estiveram preparados para uma catástrofe abstrata,da qual nem em sonho imaginaram acontecer. Pessoas que estiverem lendo este diário,acreditem se quiserem,Callisburg no Texas está mergulhada na Penumbra,não vemos o sol a dias,nossa cidade foi dominada por demônios,eles usaram algum tipo de misticismo para banir o sol da cidade,pretendem expandir o terror por toda a América do Norte e cada vez mais invocam seus seres infernais para a terra,eles estão armando o ataque e eles sabem perfeitamente que as pessoas não se dão conta de sua existência e isso torna fácil o seu domínio. Quase ou toda a população foi transformada em aliados de seus ideais,meu melhor amigo foi morto por um monstro que temo em dizer o nome e minha amiga foi mordida por um homem de rosto extramamente branco e sem vida,falei com ela pela última vez a algum tempo atrás,ela disse que tinha que ir embora antes que a criatura que agora habitava seu corpo a dominasse e me atacasse sem pensar. O que parecia morar na minha cabeça saltou para o mundo em que vivemos,Callisburg está infestada de Maleficência,estou ficando louca,toda vez que me lembro de cenas vistas em horas atrás,eu vi Bruxas voando no céu em minha direção,todas com seus rostos deformados e suas verrugas na ponta do nariz,exatamente como eu imaginava,Lobisomens atacando seres humanos nas encruzilhadas e esses mesmos seres se transformando em outros Lobisomens,vi morcegos se transformarem em Vampiros na minha frente,babavam ao olharem meu pescoço que por sua vez estava arranhado e isto aumentava ainda mais a sua fome.Se eu estiver num manicomio sonhando,peço por favor que me acordem,tomem alguma providência,a luz está por um fio."