terça-feira, 30 de agosto de 2011

No dia 27 de Outubro

Esperei dois dias para receber alguma resposta do Sr.Bóris,mas ela veio logo e sem nenhuma notícia boa,ele debochou na carta,dizendo que eu pensava tê-lo visto mas que não era ele no carro,ele foi sensato ao me convidar para ir ao consultório dele qualquer dia,diante dessa decepção eu teria que tirar alguma satisfação,ele me deu o endereço da clínica,Elizabeth já havia me dito aonde era mas eu havia me esquecido, fui naquele mesmo dia.Chegando na clínica,a secretária pediu o meu nome,perguntou se eu iria me consultar e então disse que eu viera a pedido do Sr.Bóris e logo ela me deixou entrar. Poucos vezes eu tinha visto o Sr.Bóris daquela maneira,em geral,quando chegava em casa estava sempre com um sorriso no rosto,ali ele estava pálido e abatido,preocupado,lendo um leva de documentos,eu bati na porta para anunciar a entrada,ele me olhou de esguelha e falou.

- Ah,então é você? - Ele falou comigo olhando para os documentos,o óculos na ponta do nariz,eu ofeguei.
- Sim,sou eu,Cora Lenny,amiga de Elizabeth - Ele soltou os documentos,olhou para mim.
- Sabe que tenho muito trabalho,não sabe,sabe que tenho milhares de coisas para me preocupar,vidas para salvar,não sabe? - Eu abaixei a cabeça - E Então porque tenho que me preocupar com as baboseiras que uma garota de treze anos arruma para mim?.
- Me desculpe senhor,eu não tenho nada a ver com o que acontece na sua vida.
- E Então? -
- E Então,que a única coisa que eu quero é saber como a Samanta morreu,todos sabem que seu diagnóstico é suspeito e que o senhor mascarou várias coisas,ora por favor, a garota foi encontra sangrando e o senhor vem dizer que ela morreu de febre amarela,isso é meio difícil de acreditar. - Ele levantou-se de um salto,estava estressado,as rugas em seu rosto se contorciam ao olhar pra mim,não havia raiva ali,mas uma exacerbada tentativa de me convencer de alguma coisa.
- Eu não posso contar nada a você,todo o diagnóstico está em sigilo.
- Então o senhor confessa que teve algo além de uma febre,a garota estava pálida,perdia sangue à toa.
- Eu aconselho a você ir embora,isso não lhe convém,ela não era da sua família,e você é apenas uma garotinha rebelde.
- Sou rebelde ao ponto de contar para sua mulher que o senhor estava com outra dentro do carro,sou rebelde ao ponto de arriscar a amizade que eu tenho com a sua filha para saber o que houve de verdade,o senhor tem lido o jornal,não tem? Viu as declarações do Coveiro,aconteceu várias vezes,eu creio que uma ponta de verdade naquilo havia,a pergunta é, quem era a tal assombração? Ou será que todos são cegos e não vêem o que está acontecendo.
- Não se envolva na minha vida garota!.
- O Senhor vai me contar,vai me dizer o que houve ou vai prefirir uma crise no seu casamento. - Ele parou,olhou para o chão e tornou a olhar para mim.
- Samanta Verni perdia sangue toda noite,depois de um dia árduo atrás de compatibilidade sangüínea,tinha pesadelos o dia inteiro,gritava nomes,e estava definhando cada dia mais,não sabemos para onde o sangue ia, só conseguíamos ver dois pequenos orifícios ao redor de sua jugular,e foi assim até ela morrer.
- O senhor verificou os dentes dela?
- Não,porque eu verificaria?
- Por nada,eu lhe agradeço e esqueço quem o senhor é, obrigada.

Foi um dia cheio,a cidade estava se preparando para o Dia das Bruxas e o monstros estavam começando a viver na realidade.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

No dia 25 de Outubro

Desde o dia 22, eu não consegui pregar os olhos imaginando na estupenda revelação do coveiro,então era de fato o princípio do fim,ninguém poderia imaginar nisso,que o mundo iria se assolar em pestes das trevas,aquilo já estava me enlouqueçendo,tive a brilhante idéia de escrever uma carta para o pai de Elizabeth,ele cuidou de Samanta até o fim,mas nunca disse nada sobre o diagnóstico a não ser pra própria mãe de Samanta,sabia que seria difícil arrancar alguma informação dele e que ele não teria o porque de revelar nada a mim,mas eu tinha uma carta na manga,temia usa-la mas era o único jeito,teria de ameaça-lo sobre contar que tinha uma amante e que vindo de mim a Elizabeth acreditaria,ou era isso ou me contar o que houve com Samanta durante esse tempo. Aquele dia amanheceu chuvoso,eu estava no colégio escrevendo a tal carta e ao tentando fugir de Elizabeth,ela não poderia extrair nada daquele bilhete, eu saberia por na carta tudo o que queria saber sem ficar no nervosismo,por acaso eu ainda lembro-me dela.

" Callisburg, 25 de Outubro de 1996.

Olá, Dr Bóris, o Senhor certamente não deve se lembrar de mim,mas com certeza já ouviu falar do meu nome,sou a melhor amiga de Elizabeth,sua filha, fui em sua casa algumas vezes,mas o senhor não estava lá, sou Cora Lenny, venho por meio desta carta lhe pedir permissão para me contar os ultimos ocorridos de Samanta antes da própria morrer, é um pedido um tanto grande,eu sei, mas quero que saiba que isso é muito importante e que se tiver havido alguma coisa fora do normal que não esconda pois pode ser perigoso. É uma hipocrisia minha achar que o senhor vá me dizer alguma coisa,por isso lhe asseguro de que se o senhor me contar, a sua mulher não vai ficar sabendo sobre o seu encontro no dia cinco deste mês, eu o vi aos beijos com uma mulher morena dentro do carro, se sua mulher o conheçe,ela certamente deve desoconfiar de alguma coisa,não tenho intenção de prejudicar seu relacionamento,mas diante das cirscunstâncias eu tenho de usar isso em meu favor,pois é mais que vital que o senhor me diga o que quero saber.

Saudosamente. "