sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

No Dia 02 de Novembro

Apesar de ainda está muito abalada pela morte da minha vó,eu topei ter uma conversar com esse investigador que eu nem mesmo sabia o nome,marcamos de nos encontrar em um jardim público perto da minha casa e ele foi pontual,até mais que eu pra falar a verdade,ao me ver não perdeu tempo,logo ele pediu para eu sentar e começou a falar.



- Então,você está disposta a me ajudar nessas investigações? - O Homem tirou o chapéu para mim e me deu um leve sorriso

- Creio que o que posso vir a lhe dizer não vai fazer tanta diferença. - Tentei desvencilhar do olhar dele,mas ele sabia que eu estava como medo de algo.

- Tenho certeza que vai,vai fazer toda a diferença,desde que você me conte tudo o que sabe. - O Homem sentou-se em seguida e eu o acompanhei.

- Tudo o que sei é pouco para resolver os nossos problemas,aliás não só nossos como de todo o mundo. - Foi visível a expressão de desgosto que ele fez ao ouvir isso.

- Não subestime os fatos,eles são valiosos,cada detalhe por minímo que seja vai fazer a diferença. Agora me conte,o que sua vó estava fazendo no dia 31? - Eu dei um suspiro profundo,estava tentando esquecer aquilo,embora eu soubesse que iria ser difícil,então falei com frieza.

- Rezando. - E Olhou para mim surpreso.

- Rezando? Então parece uma forma que ela encontrou de dizer adeus à vida. - E eu assenti com a cabeça

- Talvez,mas acontece que rezar nunca foi o ato predileto da vovó,ela era a única senhora do bairro que não gostava de ir à igreja. - Eu olhei para o lado,a igreja ficava próxima dali.

- Isso é muito interessante. E o que ela fazia nas horas de missa? - Ele me lançou um olhar intimidador.

- Ela lia livros,aliás,ela lia livros quase o tempo todo,era o que ela fazia de melhor. - Eu então olhei para o lado oposto,onde era possível ver a minha escola ao longe.

- E Você não conheçe nada ou ninguém que possa ter desejado essa morte? - Ele parou por um instante,pegou uma pequena caderneta e começou a anotar.

- As pessoas do Bairro não gostavam muito dela,mas querer a sua morte é meio cruel de imaginar. - Estava tentando olhar as anotações que ele estava fazendo,mas ele conseguia ocultá-la com a outra mão.

- Sei. E antes disso,ela apresentava estar diferente? - Agora ele estava fazendo as perguntas sem olhar para mim,apenas escrevia sem parar.

- Diferente ela sempre foi,ela estava bem como sempre esteve,mas confesso que ela parecia preocupada embora ela não deixasse ninguém ver isso. - Ela parara de escrever,largara a caneta e voltou a me olhar novamente.

- E Você o que a deixava preocupada? - Parei para pensar no que ia falar,estava procurando as palavras certas.

- Olha,não é que eu não queira colaborar,mas é que isto já está ficando pessoal.

- Não vai ser pessoal quando tudo acontecer.

- Tudo o que?

- Ora, você sabe e eu também sei,mas você está bem informada e eu não.

- Informada sobre o que?

- A Profecia, eu li sobre ela,acredite em mim,pode me contar o que quiser,eu não sou cético.

- Pois bem,minha vó acreditava nela e ela me informou sobre ela faz algum tempo,ela me deu o livro que contém a profecia e todos os males que podem vir a ocorrer futuramente.

- Há sinais não há? Sinais que mostram que ela está por vir

- Vários,todos esses ataques,visões e tudo mais.

- E o que você acha sobre isso?

- Acho que eles estão agindo e nós não,acho que muita gente ainda vai morrer nas mãos deles

- Vampiros!

- Vampiros,Lobisomens,Bruxas,...

- Bruxas,sim, eu tenho algo pra mostrar pra você. Faz alguns dias que eu soube do sumiço de algumas crianças em um distrito perto daqui,achei que elas podiam estar por trás disso.

- Nossa, isso com certeza pode ser obra de Bruxa,por anos elas caçam crianças pra roubar juventude,também houveram ataques de Lobisomens por aqui,vítimas encontradas sem o coração,isso é uma marca deles.

- Sim, é uma odisséia veloz e está só começando.

- Não consigo imaginar como vamos sobreviver a isso.

- É Fato que Lobisomens morrem com balas de prata,mas o que diz respeito a vampiros tudo é mais difícil.

- Não,não é difícil,olha,as pessoas tentam distorcer os fatos,mas o vampiros morrem com estacas,porém elas devem ser bentas.

- Você sabe de muita coisa,está bem preparada.

- Minha vó me educou nisso,mas eu não sabia que isso me ajudaria nessa situação.

- Você está querendo dizer que sua vó lhe preparou para isso,que ela lhe informou sobre os males sobrenaturais?

- Pode ser que sim,foi graças a ela que eu sei tanto sobre isso,o real e o imaginário.


Ele olhou para o relógio,era visível que já estava escurecendo.


- O Tempo passou rápido,é melhor você ir embora,não é bom que uma jovem garota ande por aí nessas circunstâncias.

- Você falou,falou e ainda não se apresentou,nem ao menos disse o que queria.

- Já descobri o que queria e quanto ao meu nome,é melhor que você não saiba ainda, tenho que ir.

- Até mais.


E o investigador misterioso saiu dali deixando um cheiro de trama que eu não conseguia identificar,ele andou,andou e sumiu ao pôr do sol.


No Dia 01 de Novembro

Enterrar a minha vó foi o momento mais triste e esquisito da minha vida até então,chegou a ser assustador,o cemitério de Callisburg parecia feito pelas trevas,era realmente algo horrendo.Como se parecesse coisa do destino,começou a chover na hora do enterro,eu estava em transe,não conseguia chorar nem demonstar qualquer de tipo de ação,eu estava simplismente parada,olhando para tudo e todos como se nada tivesse acontecido,mas por dentro eu estava destruída.Apesar de estarmos em um cemitério,além de sua energia negativa habitual,a atmosfera estava estranha,minha vó havia morrido,porém haviam pessoas naquele enterro que pareciam também ter morrido,perdido a graça de viver.Mark estava aos prantos,Olímpia estava consolando ele,minha mãe estava como eu,não demonstrava nada e o olhar dela estava vazio.Elizabeth e Hellen estavam lá também.Naquela mesma noite eu recebi uma ligação,fazia semanas que não ouvia falar no nome dessa pessoa,o investigador da cidade de Odessa me ligou e queria uma entrevista para o dia seguinte,alegando que isso ajudaria no rumo das investigações e eu nem pensei em recusar

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

No dia 31 de Outubro

Era comum irmos à casa da nossa avó no Dia das Bruxas, em geral eu passava o ano inteiro pensando na fantasia na qual iria usar e qual peça eu pregaria no meu irmão, mas naquele momento,o Halloween estava me causando algo inédito,o medo,a tradição não mas parecia uma simples brincadeira,naquele ano onde tudo começou,os pesadelos começaram a tomar proporções reais e aquilo que eu gostava de ouvir mais que qualquer um,agora me aflingiam por completo.Os preparativos começaram cedo,na minha escola nós passamos o dia inteiro escutando histórias de terror e eu com medo de contar sobre os reais acontecimentos,sobre a garota que vaga pelo cemitério a noite,sobre o coveiro louco que a via nas noites,sobre quem ou o que atacara Samanta. Á tarde fomos para a casa da nossa avó, a senhora rústica,aquela que as pessoas do bairro não gostavam de comentar,talvez fosse por isso que minha mãe mantinha uma certa distância da minha vó,para não ser chamada de louca,mas eu não ligava,amava minha avó e posso dizer que adoraria ter a fama que ela tem.A Mesa estava vazia naquele ano,nos decepcionamos ao ver que ela estava apenas largada no sofá empoeirado com algumas velas acesas,ajoelhado em frente a um cartiçal sob o parapeito.

- Vó? - perguntei
- Oi querida - Disse ela com a voz trêmula,quase imperceptível,minha mãe me olhou e baixou a cabeça
- O que está fazendo?
- Minha filha,hoje é dia de todos os santos,vulgarmente chamado de dia das bruxas,um dia em que os mortos podem voltar para a terra - Ela não olhou para mim, ainda estava fixada no cartiçal
- Mas a senhora nunca fez isso,aliás,estaria mais animada que as crianças lá fora
- Digamos que agora não há tantos motivos para alegria,eu vou rezar, não quero ver nenhum morto na minha frente! - Minha mãe se exaltou e falou

- É assim que nos recebe,com mais uma de suas baboseiras de monstros,eu estou farta de que a senhora seja assim,tão velha e ranzinza,contando histórias de terror para assustar minha filha.
- Eu queria que isso fossem apenas histórias,olha o tempo,está diferente,nublado,cinza,com uma atmosfera pesada
-Por favor mamãe,você está louca!
- Sim, esse vai ser o destino de todos daqui pra frente, a morte ou a loucura.!
- Adeus mamãe !
- Eu vou ficar! - eu me pronunciei
- Tudo bem - Minha mãe foi embora sozinha, ela bateu a porta e eu fiquei olhando para a minha vó,ela ainda de costas.

- Então é isso, vamos enlouquecer e morrer? - perguntei
- Você leu o livro que eu te dei,sabe da profecia
- Eu li, mas são só lendas
- Está mentindo pra mim? Você, a quem eu me vejo?
- Não pode ser vó,nessas proporções,é insano
- É muito insano, e quem disse que as pessoas são normais e quem dirá os seres de outro mundo!
- Então é verdade,vai acontecer?
- Tudo o que você está imaginando vai acontecer,tudo o que você pensa que é,é verdade,tudo que você pensa ser loucura é a realidade.
- Então a Samanta é um Vampiro? Esses ataques foram feitos por eles? eles vão se espalhar por aí como diz no livro?
- Fale por você
- Meu Deus!
- Podemos recorrer a ele quando acontecer a catástrofe, você vai estar no meio dela,bem no centro,juntamente com seu irmão.

Não fiz mais perguntas para a minha avó,fui para casa e na madrugada telefonaram para minha casa e quase tive um infarto no momento, minha vó havia morrido,todas as velas estavam apagadas exceto uma,a que estava no centro do cartiçal no parapeito com um crucifixo ao lado.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

No dia 27 de Outubro

Esperei dois dias para receber alguma resposta do Sr.Bóris,mas ela veio logo e sem nenhuma notícia boa,ele debochou na carta,dizendo que eu pensava tê-lo visto mas que não era ele no carro,ele foi sensato ao me convidar para ir ao consultório dele qualquer dia,diante dessa decepção eu teria que tirar alguma satisfação,ele me deu o endereço da clínica,Elizabeth já havia me dito aonde era mas eu havia me esquecido, fui naquele mesmo dia.Chegando na clínica,a secretária pediu o meu nome,perguntou se eu iria me consultar e então disse que eu viera a pedido do Sr.Bóris e logo ela me deixou entrar. Poucos vezes eu tinha visto o Sr.Bóris daquela maneira,em geral,quando chegava em casa estava sempre com um sorriso no rosto,ali ele estava pálido e abatido,preocupado,lendo um leva de documentos,eu bati na porta para anunciar a entrada,ele me olhou de esguelha e falou.

- Ah,então é você? - Ele falou comigo olhando para os documentos,o óculos na ponta do nariz,eu ofeguei.
- Sim,sou eu,Cora Lenny,amiga de Elizabeth - Ele soltou os documentos,olhou para mim.
- Sabe que tenho muito trabalho,não sabe,sabe que tenho milhares de coisas para me preocupar,vidas para salvar,não sabe? - Eu abaixei a cabeça - E Então porque tenho que me preocupar com as baboseiras que uma garota de treze anos arruma para mim?.
- Me desculpe senhor,eu não tenho nada a ver com o que acontece na sua vida.
- E Então? -
- E Então,que a única coisa que eu quero é saber como a Samanta morreu,todos sabem que seu diagnóstico é suspeito e que o senhor mascarou várias coisas,ora por favor, a garota foi encontra sangrando e o senhor vem dizer que ela morreu de febre amarela,isso é meio difícil de acreditar. - Ele levantou-se de um salto,estava estressado,as rugas em seu rosto se contorciam ao olhar pra mim,não havia raiva ali,mas uma exacerbada tentativa de me convencer de alguma coisa.
- Eu não posso contar nada a você,todo o diagnóstico está em sigilo.
- Então o senhor confessa que teve algo além de uma febre,a garota estava pálida,perdia sangue à toa.
- Eu aconselho a você ir embora,isso não lhe convém,ela não era da sua família,e você é apenas uma garotinha rebelde.
- Sou rebelde ao ponto de contar para sua mulher que o senhor estava com outra dentro do carro,sou rebelde ao ponto de arriscar a amizade que eu tenho com a sua filha para saber o que houve de verdade,o senhor tem lido o jornal,não tem? Viu as declarações do Coveiro,aconteceu várias vezes,eu creio que uma ponta de verdade naquilo havia,a pergunta é, quem era a tal assombração? Ou será que todos são cegos e não vêem o que está acontecendo.
- Não se envolva na minha vida garota!.
- O Senhor vai me contar,vai me dizer o que houve ou vai prefirir uma crise no seu casamento. - Ele parou,olhou para o chão e tornou a olhar para mim.
- Samanta Verni perdia sangue toda noite,depois de um dia árduo atrás de compatibilidade sangüínea,tinha pesadelos o dia inteiro,gritava nomes,e estava definhando cada dia mais,não sabemos para onde o sangue ia, só conseguíamos ver dois pequenos orifícios ao redor de sua jugular,e foi assim até ela morrer.
- O senhor verificou os dentes dela?
- Não,porque eu verificaria?
- Por nada,eu lhe agradeço e esqueço quem o senhor é, obrigada.

Foi um dia cheio,a cidade estava se preparando para o Dia das Bruxas e o monstros estavam começando a viver na realidade.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

No dia 25 de Outubro

Desde o dia 22, eu não consegui pregar os olhos imaginando na estupenda revelação do coveiro,então era de fato o princípio do fim,ninguém poderia imaginar nisso,que o mundo iria se assolar em pestes das trevas,aquilo já estava me enlouqueçendo,tive a brilhante idéia de escrever uma carta para o pai de Elizabeth,ele cuidou de Samanta até o fim,mas nunca disse nada sobre o diagnóstico a não ser pra própria mãe de Samanta,sabia que seria difícil arrancar alguma informação dele e que ele não teria o porque de revelar nada a mim,mas eu tinha uma carta na manga,temia usa-la mas era o único jeito,teria de ameaça-lo sobre contar que tinha uma amante e que vindo de mim a Elizabeth acreditaria,ou era isso ou me contar o que houve com Samanta durante esse tempo. Aquele dia amanheceu chuvoso,eu estava no colégio escrevendo a tal carta e ao tentando fugir de Elizabeth,ela não poderia extrair nada daquele bilhete, eu saberia por na carta tudo o que queria saber sem ficar no nervosismo,por acaso eu ainda lembro-me dela.

" Callisburg, 25 de Outubro de 1996.

Olá, Dr Bóris, o Senhor certamente não deve se lembrar de mim,mas com certeza já ouviu falar do meu nome,sou a melhor amiga de Elizabeth,sua filha, fui em sua casa algumas vezes,mas o senhor não estava lá, sou Cora Lenny, venho por meio desta carta lhe pedir permissão para me contar os ultimos ocorridos de Samanta antes da própria morrer, é um pedido um tanto grande,eu sei, mas quero que saiba que isso é muito importante e que se tiver havido alguma coisa fora do normal que não esconda pois pode ser perigoso. É uma hipocrisia minha achar que o senhor vá me dizer alguma coisa,por isso lhe asseguro de que se o senhor me contar, a sua mulher não vai ficar sabendo sobre o seu encontro no dia cinco deste mês, eu o vi aos beijos com uma mulher morena dentro do carro, se sua mulher o conheçe,ela certamente deve desoconfiar de alguma coisa,não tenho intenção de prejudicar seu relacionamento,mas diante das cirscunstâncias eu tenho de usar isso em meu favor,pois é mais que vital que o senhor me diga o que quero saber.

Saudosamente. "

domingo, 10 de julho de 2011

No dia 22 de Outubro

Não consegui esperar mais,fui visitar o coveiro,ele morava a duas quadras depois da minha,vivia sozinho e eu receio que ele de fato tenho perdido o juízo,vou tentar descrever a conversa que tive com ele.Cheguei lá às 11:45,arrastei Elizabeth para vir comigo,ela estava com medo e receosa de que o homem tentasse fazer alguma coisa conosco,para acalma-la eu disse que estava levando um canivete,mas isso não melhorou a situação.Tocamos a campainha sem êxito e então batemos na porta,a casa do homem caia aos pedaços e as plantas ao redor estavam todas secas,por um momento paramos para olhar o andar superior com as janelas abertas,dava para ver a tensão nos olhos de Elizabeth misturado com a raiva que ela estava de mim por tê-la trazido para aquele ambiente sombrio,ela quase caiu para trás quando o homem abriu a porta,ele era mais assustador do que eu imaginava,pálido e com poucos cabelos,um sorriso enviesado que revelava os seus dentes amarelos,ele nos olhou e perguntou.

- O que as moças querem? - Perguntou ele dando um sorrisinho.
- O Senhor é o coveiro do cemitério Karl Pich,que foi destituído a pouco tempo? - Tremia ao falar aquilo,estava óbvio que era uma ofensa ao homem ouvir aquilo,conseguia prever a hora que ele ia nos expulsar dali.
- Sim! Mas o que isso interessa a vocês? - Ele aumentou o tom da voz,esbravejou e ouvi o gemido de terror de Elizabeth.
- Nós só queríamos dizer que acreditamos no senhor,sobre o que falou para o jornal,que vira uma mulher andando no cemitério a noite! - Estava apreensiva,o homem pareceu compreender.
- Ora! Saiam já daqui,eu estava vendo coisas,essas coisas não existem,isso é loucura da minha mente! - O Homem arfava de medo.
- Senhor,por favor nos conte o que o senhor viu, ou que o senhor pensou que viu, é importante! - Ele me encarou e eu senti calafrios ao olhar nos olhos dele.
- Todos acham que estou louco,que estou velho demais para cuidar do cemitério,mas eu sei o que vi,eu sei que não estou louco! - Ele abaixou a cabeça,olhando para os próprios pés sujos.
- Então por favor nos conte - E ele assentiu com a cabeça e fez gestos para nós entrarmos,Elizabeth me olhou com repressão,mas não havia mais jeito e então entramos.A Casa era mais feia pro dentro do que por fora,tinha um cheiro terrível de mofo misturado com lôdo,era extremamente empoeirada e por toda parte se viam as marcas de pés,as paredes eram todas rachadas e dava pra ver que eram meio molhadas devido a algum vazamento,o sofá estava rasgado e não era alcochoado,era simplesmente coberto com um lençol que arrastava no chão,não consegui ver mais nada além da sala,tudo estava escuro. O Homem nos indicou o sofá e nos pediu para sentar,nós sentamos e sem pedirmos nada ele começou a falar.

- Faz quatorze anos que trabalho naquele Cemitério,e é assim que me recompensam,expulso de um trabalho que nem metade da população se atreveria a fazer. - O Desgosto vinha em cada palavra em que ele falava.
- Senhor,a gente quer saber um pouco mais do que tem visto no Cemitério a noite. - O Homem deu um leve sorriso,não entendi o porque.
- Ora o que vi! Gente morta é claro,é a única coisa que tem em um Cemitério. - E ele caiu na gargalhada,e eu fiquei abismada.
- Não foi isso que eu quis dizer, o senhor viu alguém andando pelo Cemitério quando não tinha mais ninguém além do senhor. - O Sorriso do Homem sumiu.
- Sim, era uma Mulher linda,tirando o fato de que não estava viva!. - Eu franzi a teste e Elizabeth deu um suspiro.
- Como sabe que ela estava morta?. -
- Porque eu fui ao velório dela,de passagem,eu conhecia um dos colegas dela e eu fui prestar solidariedade ao garoto,não passei muito tempo lá,mas sei que estava vestida de branco e tinha uma coroa de flores na cabeça,tinha uma gargantilha de esmeralda e era ruiva,com cabelos cor de fogo - Engoli a seco aquele fato,Elizabeth se lembrara de algo.
- E o senhor sabia o nome dela? - Estava com terror nos olhos,temendo o que ele iria responder.
- Os colegas a chamavam de Sam,mas o nome era Samanta,Samanta Polarie Verni. - Meu rosto ficou pálido,não pensei em mais nada,disse adeus ao homem que eu nem sabia o nome e sai de lá às pressas com Elizabeth,se o que ele havia contado fosse verdade,então a Profecia estava começando,de uma maneira desenfreada.

No Dia 20 de Outubro

O Ritmo de notícias até este dia foi frenético,o tal coveiro que vira alguém caminhando no cemitério a noite repetiu a notícia todos os dias para os repórteres,infelizmente estes já não estavam mais acreditando no pobre homem e ele foi removido do trabalho,tive a sorte de conseguir o endereço deste coveiro,ele morava perto de minha casa,precisava lhe fazer algumas perguntas.Naquele dia vinte,eu passei o dia inteiro na casa de Elizabeth,foi com sua ajuda que consegui estas informações,mostrei a ela o livro que minha vó me dera,mas Elizabeth é muito cética,cética ao ponto de acreditar que seu pai é o homem perfeito,aquele que jamais trairia a sua bem sucedida mãe,Hellen Allen era uma mulher boa,mas tinha pontas de hipocrisia.