sábado, 21 de maio de 2011

No Dia 1 de Setembro - 1996

Era comum visitarmos nossa avó aos domingos,em geral minha mãe não gostava de ir até lá,elas eram diferentes até nas idéias,minha mãe era cética enquanto minha vó sabia todas as histórias fantasiosas do mundo e não havia companhia melhor para mim. A casa dela era gigantesca,exalava no ar o cheiro de coisa velha que eu tanto gostava,a modernidade não me atraia e a casa da minha vó me fazia voltar no tempo,havia um sala cheia de livros e baús que ela não me deixava abrir,podia ler livros desde que não fosse dentro daquela própria sala,aprendi a gostar do estranho através dela,com apenas cinco anos ela me fez ler Frankestein e daí por diante eu não parei de ler literatura fantástica. Chegamos lá às 11:00,ficaríamos para o almoço,passaria a tarde toda lá,era o dia que mais me agradava,depois do almoço eu pedi permissão para ir a biblioteca e cheguei no meu mundo,lá estavam nas estantes "Drácula", "Frankenstein" "Nosferatu", "Bruxas" e outras coisas mais,havia uma área daquela sala em que nunca fui olhar,ficava perto da janela bem escondida atrás das cortinas,só havia um livro naquela estante,grande e longo,capa dura e empoeirada,as letras do título manchadas,limpei-a com a ponta da blusa,foi difícil ler aquelas letras douradas,não consegui ler pois estavam em outra língua,fui surpreendida pela sombra da minha vó,tivemos uma conversa estranha pelo pouco que lembro.

- Sabia que iria encontra-lo! vejo muito de mim em você,me orgulho de você,não poderia querer outra coisa. - Os olhos dela marejaram,parecia que já sabia daquilo,mas não tinha nada demais
- Vó? - Perguntei,o sangue fervoroso,minha curiosidade era imensa.
- Diga minha querida - Ela deu um leve sorriso,é claro que sabia qual era a pergunta.
- Que livro este? O que significa?
- Ela baixou a cabeça e voltou a me olhar em alguns segundos,me encarou,o sorriso em seu rosto.
- Ó,sem dúvida é o melhor livro que existe para mim,uma profecia na verdade,talvez seja a hora de entrega-lo pra você. - Eu não entendi aquilo,um livro necessário era o que parecia ser,mas para que serviria?.
- Para mim,sério que posso ficar com ele? -
Ela não falou nada,apenas balançou a cabeça.
- É Claro,leia e depois me diga o que achou -
Com toda a certeza,ler não era apenas o que ela queria que eu fizesse,afinal sendo um livro deveria ter as respostas que eu queria.
- Obrigada Vó. - Corri até ela,abraçei-a,fazia tempo que não abraçava a velha senhora Christine,minha vó
- De nada minha querida! -
Ela beijou minha testa.
- Vó? queria conversar com a senhora -
Ela franziu a testa.
- Tudo bem,sobre o que? -
Falou isto quase aos susurros,de fato eu não queria que minha mãe estivesse ouvindo,e minha vó sabia disso.
- A Senhora soube o que houve em meu colégio! -
Engoli a seco aquelas palavras,talvez não fosse algo para se falar com uma avó.
- Sim minha querida. -
Ela assentiu com a cabeça.
- Eu queria saber o que a senhora acha sobre isso, é que a garota foi encontrada com um machucado no pescoço,não era grande mas saia muito sangue! -
Não esperava que ela disesse algo,mas minha vó nunca me disse que as histórias que ela contava para mim fossem mentiras.
- Onde você quer chegar Cora? -
Ela sabia do que eu estava falando,melhor do que ninguém
- Não parecia normal, a senhora acha que poderia ser... - Fui interrompida,ela se assustou com o que eu pudesse dizer.
- Oh não,claro que não,não nessa circunstância nã... - Interrompi ela agora.
- Circunstância,que circunstância? - Se havia algo estranho acontecendo,eu estava quase sabendo
- Porque iria fazer isso quando em pouco tempo havia centenas de alunos no colégio? - Entendi seu raciocínio,aquilo não poderia atacar ninguém com tantas testumunhas.
- Eu não sei,mas vou descobrir.

Minha vó ficou calada,saiu da sala e me deixou sozinha,fiquei com livro,acho que haveria respostas nele.

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