segunda-feira, 20 de junho de 2011

No dia 5 de Outubro

Não quiz contar a Elizabeth o que vira naquele dia,talvez isso afetasse ou não a cabeça dela,mas eu não queria arriscar,afinal não era da minha conta.Vi o pai de Elizabeth passando em seu carro naquele dia,em seu lado estava uma mulher morena e de cabelos lisos,parecia usar vestido,ela estava o beijando.Os Allen sempre tiveram a fama de ser uma família estruturada,não sou eu quem vai tirar esse prestígio,isso não me convém. Uma nova série de crimes está afetando Callisburg,o coveiro da cidade pôde jurar que viu alguém caminhando pelo cemitério a noite enquanto ele fechava os portões,na manhã seguinte alguns túmulos estavam violados,mas os corpos ainda estavam lá,mais de sete túmulos estavam nessas condições.

No dia 30 de Setembro

Os ataques não pararam nenhum dia,toda noite alguém era vitimado e na manhã seguinte o jornal noticiava o número de mortos,a população estava apavorada,as vítimas são encontradas em diversos casos,algumas estão sem os olhos,outras estão completamente dilaceradas,outras com mordidas no pescoço,a número de vítimas passou de cinqüenta.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

No Dia 20 de Setembro

As Notícias correram rapidamente,todos da escola estavam comentando sobre os ataques na cidade,ataques iguais aos de samanta,nas mesmas circunstâncias,só que desta vez as vítimas não tiveram a chance de ir para o hospital,foram encontradas todas mortas com a cabeça mergulhada em um almofada de sangue,diferente de samanta essas vítimas não tinham marcas só no pescoço,todo o braço e perna estavam mordidos e não havia rastro algum de quem ou o que fizera aquilo,sobre esses fatos eu achei um trecho no livro da minha vó que descreve ações parecidas.

"...Dificilmente atacam só uma parte do corpo da vítima,gostam de ver o sofrimento estampado no rosto do seu "jantar" e quanto mais a vítima implora para morrer mais e mais ela é torturada,são arrastados no chão com os cabelos presos nos caninos da fera,o calcanhar ralando no chão que por sua vez era marcado com o sangue cristalino e vital da vítima,todas elas são levadas para um encruzilhada ou para a frente de um cemitério,o animal faz um espécie de ritual antes de devorar a vítima e é quando então a pobre vítima sem mais nenhum sentido,sente o filamento de dentes afiados cravarem no braço arrancando a sua pele que já não sente mais dor."

Embora isso possa se encaixar,não consigo entender porque as vítimas da minha cidade estavam sem os olhos,creio que se for mesmo essa fera que o livro cita,talvez tivesse devorado os olhos com o maior prazer.

sábado, 28 de maio de 2011

No dia 14 de Setembro

Concluí o Livro que minha vó me dera,não era uma história em seqüência,era uma coletânea de contos e mitos sobre coisas sobrenaturais,tudo o que eu mais gostava,várias lendas que assolavam o mundo e fatos verídicos.Não o ganhei por acaso,ele continha informações que me deixaram intrigada,pode ser representado nesse trecho do livro.

"...Vampiros não atacam na luz dia,mas iniciantes da vida vampiresca são capazes de almoçar um pescoço em locais escuros durante o dia,só se dão conta do perigo que o sol os causa depois que atacam mais de cinco vítimas em série,no caso dos homens,as vítimas precisam ser mulheres virgens..."

Uma Ironia completa,as coisas que eu imagino se encaixam,mas eu não quero que isto seja verdade,afinal os humanos não se dão conta de tal coisa.Outro trecho do livro me chamou a atenção,se tratava de uma profecia muito improvável,mas achei interessante.

"...O Mundo se cobrirá no escuro,o sol será banido e as criaturas malígnas o dominarão,implorem a Deus por suas salvações,a terra não será um lugar de paz.Desde os primórdios,as criaturas das trevas tentam desestaurar o equilíbrio entre o dia e a noite,tal função é coordenada por dois arcanjos,uma mulher responsável por trazer a lua e um homem por trazer o sol,isso acontece através de dois objetos mágicos que projetam os movimentos da terra e fazem com ela se encontre em equilíbrio,sem tais objetos,a terra passaria a se desordenar,giraria incontrolavelmente ou até pararia de girar,ou simplesmente tanto a lua quanto o sol poderia sumir,manifestando forças invisíveis para a humanidade.Os dois objetos são dois cordões que possuem um pingente de um material indetificável,esses objetos são cravados em duas rochas ondem recebem vigilância dos anjos todo o tempo,a lenda diz que em breve alguma força das trevas tentará roubar um dos cordões para destruir,deixando a força do outro cordão a tona e manifestando forças invisíveis,será o dia do possível apocalipse,quando as profundezas temíveis e as criaturas que a habitam virão a terrar e destruirão a humanidade..."

Espero que isso tudo seja uma perfeita mentira.

sábado, 21 de maio de 2011

No Dia 12 de Setembro

Samanta morreu naquela manhã,minha escola foi aberta no mesmo dia,o enterro seria naquela mesma tarde,não tive coragem de ir,minha mãe e meu irmão prestariam solidariedade para os Verni,os pais de Elizabeth e a mãe de Franccis também iriam ao enterro.Estou prestes a concluir o livro que minha vó me deu.

No Dia 5 de Setembro

"Pessoas são encontradas mortas em ruas de Callisburg..."

"Um homem foi decapitado em uma encruzilhada,sua roupas rasgadas e suas veias secas..."

"Homem vê figura encapuzada no meio do mato grande..."

"Crianças atacadas em circunstâncias misteriosas..."

No Dia 1 de Setembro - 1996

Era comum visitarmos nossa avó aos domingos,em geral minha mãe não gostava de ir até lá,elas eram diferentes até nas idéias,minha mãe era cética enquanto minha vó sabia todas as histórias fantasiosas do mundo e não havia companhia melhor para mim. A casa dela era gigantesca,exalava no ar o cheiro de coisa velha que eu tanto gostava,a modernidade não me atraia e a casa da minha vó me fazia voltar no tempo,havia um sala cheia de livros e baús que ela não me deixava abrir,podia ler livros desde que não fosse dentro daquela própria sala,aprendi a gostar do estranho através dela,com apenas cinco anos ela me fez ler Frankestein e daí por diante eu não parei de ler literatura fantástica. Chegamos lá às 11:00,ficaríamos para o almoço,passaria a tarde toda lá,era o dia que mais me agradava,depois do almoço eu pedi permissão para ir a biblioteca e cheguei no meu mundo,lá estavam nas estantes "Drácula", "Frankenstein" "Nosferatu", "Bruxas" e outras coisas mais,havia uma área daquela sala em que nunca fui olhar,ficava perto da janela bem escondida atrás das cortinas,só havia um livro naquela estante,grande e longo,capa dura e empoeirada,as letras do título manchadas,limpei-a com a ponta da blusa,foi difícil ler aquelas letras douradas,não consegui ler pois estavam em outra língua,fui surpreendida pela sombra da minha vó,tivemos uma conversa estranha pelo pouco que lembro.

- Sabia que iria encontra-lo! vejo muito de mim em você,me orgulho de você,não poderia querer outra coisa. - Os olhos dela marejaram,parecia que já sabia daquilo,mas não tinha nada demais
- Vó? - Perguntei,o sangue fervoroso,minha curiosidade era imensa.
- Diga minha querida - Ela deu um leve sorriso,é claro que sabia qual era a pergunta.
- Que livro este? O que significa?
- Ela baixou a cabeça e voltou a me olhar em alguns segundos,me encarou,o sorriso em seu rosto.
- Ó,sem dúvida é o melhor livro que existe para mim,uma profecia na verdade,talvez seja a hora de entrega-lo pra você. - Eu não entendi aquilo,um livro necessário era o que parecia ser,mas para que serviria?.
- Para mim,sério que posso ficar com ele? -
Ela não falou nada,apenas balançou a cabeça.
- É Claro,leia e depois me diga o que achou -
Com toda a certeza,ler não era apenas o que ela queria que eu fizesse,afinal sendo um livro deveria ter as respostas que eu queria.
- Obrigada Vó. - Corri até ela,abraçei-a,fazia tempo que não abraçava a velha senhora Christine,minha vó
- De nada minha querida! -
Ela beijou minha testa.
- Vó? queria conversar com a senhora -
Ela franziu a testa.
- Tudo bem,sobre o que? -
Falou isto quase aos susurros,de fato eu não queria que minha mãe estivesse ouvindo,e minha vó sabia disso.
- A Senhora soube o que houve em meu colégio! -
Engoli a seco aquelas palavras,talvez não fosse algo para se falar com uma avó.
- Sim minha querida. -
Ela assentiu com a cabeça.
- Eu queria saber o que a senhora acha sobre isso, é que a garota foi encontrada com um machucado no pescoço,não era grande mas saia muito sangue! -
Não esperava que ela disesse algo,mas minha vó nunca me disse que as histórias que ela contava para mim fossem mentiras.
- Onde você quer chegar Cora? -
Ela sabia do que eu estava falando,melhor do que ninguém
- Não parecia normal, a senhora acha que poderia ser... - Fui interrompida,ela se assustou com o que eu pudesse dizer.
- Oh não,claro que não,não nessa circunstância nã... - Interrompi ela agora.
- Circunstância,que circunstância? - Se havia algo estranho acontecendo,eu estava quase sabendo
- Porque iria fazer isso quando em pouco tempo havia centenas de alunos no colégio? - Entendi seu raciocínio,aquilo não poderia atacar ninguém com tantas testumunhas.
- Eu não sei,mas vou descobrir.

Minha vó ficou calada,saiu da sala e me deixou sozinha,fiquei com livro,acho que haveria respostas nele.