domingo, 10 de julho de 2011

No dia 22 de Outubro

Não consegui esperar mais,fui visitar o coveiro,ele morava a duas quadras depois da minha,vivia sozinho e eu receio que ele de fato tenho perdido o juízo,vou tentar descrever a conversa que tive com ele.Cheguei lá às 11:45,arrastei Elizabeth para vir comigo,ela estava com medo e receosa de que o homem tentasse fazer alguma coisa conosco,para acalma-la eu disse que estava levando um canivete,mas isso não melhorou a situação.Tocamos a campainha sem êxito e então batemos na porta,a casa do homem caia aos pedaços e as plantas ao redor estavam todas secas,por um momento paramos para olhar o andar superior com as janelas abertas,dava para ver a tensão nos olhos de Elizabeth misturado com a raiva que ela estava de mim por tê-la trazido para aquele ambiente sombrio,ela quase caiu para trás quando o homem abriu a porta,ele era mais assustador do que eu imaginava,pálido e com poucos cabelos,um sorriso enviesado que revelava os seus dentes amarelos,ele nos olhou e perguntou.

- O que as moças querem? - Perguntou ele dando um sorrisinho.
- O Senhor é o coveiro do cemitério Karl Pich,que foi destituído a pouco tempo? - Tremia ao falar aquilo,estava óbvio que era uma ofensa ao homem ouvir aquilo,conseguia prever a hora que ele ia nos expulsar dali.
- Sim! Mas o que isso interessa a vocês? - Ele aumentou o tom da voz,esbravejou e ouvi o gemido de terror de Elizabeth.
- Nós só queríamos dizer que acreditamos no senhor,sobre o que falou para o jornal,que vira uma mulher andando no cemitério a noite! - Estava apreensiva,o homem pareceu compreender.
- Ora! Saiam já daqui,eu estava vendo coisas,essas coisas não existem,isso é loucura da minha mente! - O Homem arfava de medo.
- Senhor,por favor nos conte o que o senhor viu, ou que o senhor pensou que viu, é importante! - Ele me encarou e eu senti calafrios ao olhar nos olhos dele.
- Todos acham que estou louco,que estou velho demais para cuidar do cemitério,mas eu sei o que vi,eu sei que não estou louco! - Ele abaixou a cabeça,olhando para os próprios pés sujos.
- Então por favor nos conte - E ele assentiu com a cabeça e fez gestos para nós entrarmos,Elizabeth me olhou com repressão,mas não havia mais jeito e então entramos.A Casa era mais feia pro dentro do que por fora,tinha um cheiro terrível de mofo misturado com lôdo,era extremamente empoeirada e por toda parte se viam as marcas de pés,as paredes eram todas rachadas e dava pra ver que eram meio molhadas devido a algum vazamento,o sofá estava rasgado e não era alcochoado,era simplesmente coberto com um lençol que arrastava no chão,não consegui ver mais nada além da sala,tudo estava escuro. O Homem nos indicou o sofá e nos pediu para sentar,nós sentamos e sem pedirmos nada ele começou a falar.

- Faz quatorze anos que trabalho naquele Cemitério,e é assim que me recompensam,expulso de um trabalho que nem metade da população se atreveria a fazer. - O Desgosto vinha em cada palavra em que ele falava.
- Senhor,a gente quer saber um pouco mais do que tem visto no Cemitério a noite. - O Homem deu um leve sorriso,não entendi o porque.
- Ora o que vi! Gente morta é claro,é a única coisa que tem em um Cemitério. - E ele caiu na gargalhada,e eu fiquei abismada.
- Não foi isso que eu quis dizer, o senhor viu alguém andando pelo Cemitério quando não tinha mais ninguém além do senhor. - O Sorriso do Homem sumiu.
- Sim, era uma Mulher linda,tirando o fato de que não estava viva!. - Eu franzi a teste e Elizabeth deu um suspiro.
- Como sabe que ela estava morta?. -
- Porque eu fui ao velório dela,de passagem,eu conhecia um dos colegas dela e eu fui prestar solidariedade ao garoto,não passei muito tempo lá,mas sei que estava vestida de branco e tinha uma coroa de flores na cabeça,tinha uma gargantilha de esmeralda e era ruiva,com cabelos cor de fogo - Engoli a seco aquele fato,Elizabeth se lembrara de algo.
- E o senhor sabia o nome dela? - Estava com terror nos olhos,temendo o que ele iria responder.
- Os colegas a chamavam de Sam,mas o nome era Samanta,Samanta Polarie Verni. - Meu rosto ficou pálido,não pensei em mais nada,disse adeus ao homem que eu nem sabia o nome e sai de lá às pressas com Elizabeth,se o que ele havia contado fosse verdade,então a Profecia estava começando,de uma maneira desenfreada.

No Dia 20 de Outubro

O Ritmo de notícias até este dia foi frenético,o tal coveiro que vira alguém caminhando no cemitério a noite repetiu a notícia todos os dias para os repórteres,infelizmente estes já não estavam mais acreditando no pobre homem e ele foi removido do trabalho,tive a sorte de conseguir o endereço deste coveiro,ele morava perto de minha casa,precisava lhe fazer algumas perguntas.Naquele dia vinte,eu passei o dia inteiro na casa de Elizabeth,foi com sua ajuda que consegui estas informações,mostrei a ela o livro que minha vó me dera,mas Elizabeth é muito cética,cética ao ponto de acreditar que seu pai é o homem perfeito,aquele que jamais trairia a sua bem sucedida mãe,Hellen Allen era uma mulher boa,mas tinha pontas de hipocrisia.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

No dia 5 de Outubro

Não quiz contar a Elizabeth o que vira naquele dia,talvez isso afetasse ou não a cabeça dela,mas eu não queria arriscar,afinal não era da minha conta.Vi o pai de Elizabeth passando em seu carro naquele dia,em seu lado estava uma mulher morena e de cabelos lisos,parecia usar vestido,ela estava o beijando.Os Allen sempre tiveram a fama de ser uma família estruturada,não sou eu quem vai tirar esse prestígio,isso não me convém. Uma nova série de crimes está afetando Callisburg,o coveiro da cidade pôde jurar que viu alguém caminhando pelo cemitério a noite enquanto ele fechava os portões,na manhã seguinte alguns túmulos estavam violados,mas os corpos ainda estavam lá,mais de sete túmulos estavam nessas condições.

No dia 30 de Setembro

Os ataques não pararam nenhum dia,toda noite alguém era vitimado e na manhã seguinte o jornal noticiava o número de mortos,a população estava apavorada,as vítimas são encontradas em diversos casos,algumas estão sem os olhos,outras estão completamente dilaceradas,outras com mordidas no pescoço,a número de vítimas passou de cinqüenta.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

No Dia 20 de Setembro

As Notícias correram rapidamente,todos da escola estavam comentando sobre os ataques na cidade,ataques iguais aos de samanta,nas mesmas circunstâncias,só que desta vez as vítimas não tiveram a chance de ir para o hospital,foram encontradas todas mortas com a cabeça mergulhada em um almofada de sangue,diferente de samanta essas vítimas não tinham marcas só no pescoço,todo o braço e perna estavam mordidos e não havia rastro algum de quem ou o que fizera aquilo,sobre esses fatos eu achei um trecho no livro da minha vó que descreve ações parecidas.

"...Dificilmente atacam só uma parte do corpo da vítima,gostam de ver o sofrimento estampado no rosto do seu "jantar" e quanto mais a vítima implora para morrer mais e mais ela é torturada,são arrastados no chão com os cabelos presos nos caninos da fera,o calcanhar ralando no chão que por sua vez era marcado com o sangue cristalino e vital da vítima,todas elas são levadas para um encruzilhada ou para a frente de um cemitério,o animal faz um espécie de ritual antes de devorar a vítima e é quando então a pobre vítima sem mais nenhum sentido,sente o filamento de dentes afiados cravarem no braço arrancando a sua pele que já não sente mais dor."

Embora isso possa se encaixar,não consigo entender porque as vítimas da minha cidade estavam sem os olhos,creio que se for mesmo essa fera que o livro cita,talvez tivesse devorado os olhos com o maior prazer.

sábado, 28 de maio de 2011

No dia 14 de Setembro

Concluí o Livro que minha vó me dera,não era uma história em seqüência,era uma coletânea de contos e mitos sobre coisas sobrenaturais,tudo o que eu mais gostava,várias lendas que assolavam o mundo e fatos verídicos.Não o ganhei por acaso,ele continha informações que me deixaram intrigada,pode ser representado nesse trecho do livro.

"...Vampiros não atacam na luz dia,mas iniciantes da vida vampiresca são capazes de almoçar um pescoço em locais escuros durante o dia,só se dão conta do perigo que o sol os causa depois que atacam mais de cinco vítimas em série,no caso dos homens,as vítimas precisam ser mulheres virgens..."

Uma Ironia completa,as coisas que eu imagino se encaixam,mas eu não quero que isto seja verdade,afinal os humanos não se dão conta de tal coisa.Outro trecho do livro me chamou a atenção,se tratava de uma profecia muito improvável,mas achei interessante.

"...O Mundo se cobrirá no escuro,o sol será banido e as criaturas malígnas o dominarão,implorem a Deus por suas salvações,a terra não será um lugar de paz.Desde os primórdios,as criaturas das trevas tentam desestaurar o equilíbrio entre o dia e a noite,tal função é coordenada por dois arcanjos,uma mulher responsável por trazer a lua e um homem por trazer o sol,isso acontece através de dois objetos mágicos que projetam os movimentos da terra e fazem com ela se encontre em equilíbrio,sem tais objetos,a terra passaria a se desordenar,giraria incontrolavelmente ou até pararia de girar,ou simplesmente tanto a lua quanto o sol poderia sumir,manifestando forças invisíveis para a humanidade.Os dois objetos são dois cordões que possuem um pingente de um material indetificável,esses objetos são cravados em duas rochas ondem recebem vigilância dos anjos todo o tempo,a lenda diz que em breve alguma força das trevas tentará roubar um dos cordões para destruir,deixando a força do outro cordão a tona e manifestando forças invisíveis,será o dia do possível apocalipse,quando as profundezas temíveis e as criaturas que a habitam virão a terrar e destruirão a humanidade..."

Espero que isso tudo seja uma perfeita mentira.

sábado, 21 de maio de 2011

No Dia 12 de Setembro

Samanta morreu naquela manhã,minha escola foi aberta no mesmo dia,o enterro seria naquela mesma tarde,não tive coragem de ir,minha mãe e meu irmão prestariam solidariedade para os Verni,os pais de Elizabeth e a mãe de Franccis também iriam ao enterro.Estou prestes a concluir o livro que minha vó me deu.